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  • Nell Morato

QUEIXUMES LITERÁRIOS…

Atualizado: Abr 16

São tantas as lamentações de autores brasileiros, que gostaria de possuir uma fórmula mágica para estimular a leitura nesse povo plugado. É uma questão cultural e fica muito complicado mudar o que começou errado, o que sempre foi equivocado. É assim na literatura, na música e no cinema. Nossas produções são preteridas pelos próprios brasileiros. É o conceito cultural que deve ser modificado. Não é tarefa fácil que acontecerá do dia para a noite. Precisa planejamento com campanhas regulares, pessoas incansáveis e determinadas a mudar o cenário.


Podemos ver algumas ações, aqui e ali, na internet, em jornais e na televisão, com profissionais competentes e dispostos a fazer a diferença na divulgação de programas de estímulo à leitura. Mas ainda é pouco. Muito pouco para o tamanho do povo brasileiro.


A leitura deve iniciar ainda no útero, com a mãe lendo para o seu filho enquanto espera a sua chegada. Prática que deverá ser incorporada à vida da família após o nascimento. Pai e mãe devem se revezar na leitura, para que o filho desenvolva o gosto pelos livros. Sabemos que o conhecimento muda a vida das pessoas. Como escrevia o poeta gaúcho Mario Quintana: “Os livros não mudam o mundo, os livros mudam as pessoas”… para que elas façam a transformação. Como exemplo posso citar Pedro Herz, presidente da Livraria Cultura, que sempre viveu entre os livros. Leiam entrevista em http://www.almanaqueliterario.com/pedro-herz-da-livraria-cultura


O autor precisa ser lido e comentado. Não sei se existe paridade entre o número de leitores e o número de autores, no momento atual. Mas, acho que lançamos mais livros do que o número de leitores no Brasil. E tenho muitas dúvidas sobre o preço de capa de um livro. Sei quanto custa fazer um livro, o trabalho que dá e a mão de obra de todos os profissionais envolvidos na edição e impressão, sem contar distribuição, venda, divulgação, etc. E alguns autores se sentem desestimulados a seguir em frente.


E eu pergunto aos autores desanimados: o que representa a literatura na sua vida? Se pensa em “ganhar a vida vendendo livros”; se escreve porque o seu íntimo está transbordando e você precisa “aliviar a alma”; se deseja ficar famoso e que “seu livro vire um filme”; se escreve por paixão e amor a literatura. Seja qual for o motivo, a única coisa que não pode fazer é ficar esperando que a solução caia do céu. E não adiantam as queixas, vai lá e faz! Vai onde e faz o quê? Busque apoio, ajuda, divulgação, eventos gratuitos, concursos, antologias, grupos, comunidades, assessorias de marketing, entrevista na revista... Não é fácil, exige muita persistência e uma força poderosa para encarar os “nãos” que ouvirá pelo caminho… e a cada não, terá que dar dois passos para a frente…


Recentemente contatei por e-mail, dois jornalistas que atuam no meio literário, em jornais do Rio Grande do Sul e Santa Catarina, para que prestigiassem o lançamento do livro de um autor amigo e cliente. Sequer responderam com um sonoro “não”. Nem sempre recebemos um “não” (que seria o certo nas relações comerciais e de trabalho, aprendi, ainda quando se usava a carta comercial, que nenhuma deveria ficar sem resposta), quase sempre somos simplesmente “ignorados”. E acham que vou desistir? Nunca. Escrevi em um comentário no Facebook que “era uma escritora engavetada”, devido ao cenário literário. Não estou preocupada em lançar meus livros, por enquanto estou “ajudando” a melhorar a performance de autores e seus escritos…


Às vezes, essa ajuda acaba sendo prejudicada pela falta de atenção de alguns autores. Você organiza um concurso e faz um edital discriminando o regulamento, isto é, explica como deve ser enviada a participação do autor, o formato do texto, etc. Concurso gratuito e com premiação de destaque para o escritor. Por que é elaborado um edital com as regras? Para que sejam cumpridas as determinações e facilitar o trabalho do organizador/voluntário, que está “ajudando” a impulsionar a sua carreira e que dará destaque ao seu trabalho divulgando o seu nome de forma gratuita. Atenção e respeito faz bem para todos e facilita o compartilhamento de ideias, ações e sucesso.


Nell Morato

15/06/18

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